Estudando alguns casos, percebi que muitas vezes temos dificuldades em como proceder com um parente, amigo, pai, mãe... Quando de repente os mesmos precisam fazer Hemodiálise, e agora?? O que posso comer? E a quantidade de água? Que mal pode fazer o fósforo da alimentação? Por isso juntei algumas informações e fiz este artigo. Espero que seja útil para você. 


I.I - ÁGUA
1 litro de água equivale a 1 kg no corpo
Quantidade de líquidos em 24 h
Calculo = volume de urina em 24h + 500 ml

O correto é consumir a mesma quantidade de líquidos que urinada, mais 500 ml.
São considerados líquidos os seguintes elementos: Água, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos, sorvetes, sopa, café, leite, iogurtes, etc…

Se o paciente nada urina, o seu consumo ideal deveria ser algo em torno dos 500-600 ml. Na prática isto é muito difícil porque a dieta ocidental é muito rica em sal, o que desencadeia a sensação de sede e faz com que o paciente procure por água com mais frequência.

No paciente que não urina ou urina muito pouco (menos de 200 ml/dia), todo o líquido que entra, permanece no corpo. Lembre-se: 1 litro de água = 1 kg. Portanto, se o paciente consome 2 litros de água, ele ganhará 2 quilos de peso.

Em geral, indica-se que o paciente não perca mais do que 4% do seu peso em uma sessão de 4 horas de hemodiálise. Isto significa que um paciente de 70 kg não deve ultrafiltrar mais do que 2800 ml. Logo, este é o limite de ganho de peso entre uma sessão e outra.

O excesso de peso e a incapacidade de se atingir o peso seco ao final das sessões de diálise está relacionado a uma maior mortalidade. 90% dos casos de hipertensão em pacientes em hemodiálise estão ligados ao excesso de LÍQUIDOS.

A água que entra no corpo e não sai, precisa ir para algum lugar. No começo ela fica dentro dos vasos sanguíneos causando hipertensão. Depois, começa a extravasar e vai para as pernas. Por fim, o excesso de líquidos começa a acometer os pulmões levando a congestão pulmonar e, posteriormente, edema agudo do pulmão.

COMO ENTÃO RESTRINGIR O CONSUMO DE LÍQUIDOS?

O passo mais importante é limitar o consumo de sal, uma vez que este causa sede e leva o paciente a procurar mais água. Diante disto, trago algumas dicas, sendo elas:
Use sempre copos pequenos.
Evite sopas ou outros alimentos líquidos que levem sal.
Evite refrigerantes ou outras bebidas ricas em açúcar, pois o excesso deste também causa sede.
Se houver sede, molhe a boca com frequência, mas sem beber a água
Chupe pequenas pedras de gelo para aliviar a sede.
Calcule o líquido permitido em 24 horas e beba esse volume ao longo do dia.
Pese-se sempre depois de comer e controle o ganho de peso evitando consumo de líquidos fora das refeições.


I.II - SÓDIO
Uma das maneiras do corpo controlar a concentração de sódio no sangue é através dos rins, eliminando o excesso na urina. Mais uma vez o doente com insuficiência renal crônica encontra-se em desvantagem. Se o sal é maléfico para pessoas saudáveis, imaginem para os doentes renais.

Portanto, além de todas as doenças relacionadas ao sal (hipertensão, infartos, insuficiência cardíaca, AVC, etc.), o paciente insuficiente renal crônico que não controla a ingestão de sódio, ainda apresenta extrema dificuldade de controlar seu peso seco, permanecendo sempre com excesso de água e contribuindo ainda mais para as doenças citadas acima.

A alimentação do insuficiente renal deve ser preparada sem sal algum, uma vez que a maioria dos alimentos já possui sódio naturalmente. Se necessário, depois de pronto, pode-se usar 1 pacotinho de sal (daqueles quadradinhos) que contém 1 grama de sal por cima da comida para o dia todo.

Existem vários tipos de temperos que podem ser usados para melhorar o gosto dos alimentos sem adição de sal, entre eles, alho, cebolinha, hortelã, orégano, salsa, vinagre, noz-moscada, louro, aipo e outros. Veja abaixo alguns alimentos ricos em sódio:
• Azeitonas, Bacalhau, Batata frita, Beterraba
• Caldos de carne, peixe e legumes
• Comida enlatada, Enlatados
• Feijão, Manteigas
• Molhos comerciais (mostarda, ketchup, maionese, molho de tomate, molho shoyo)
• Queijos, Presuntos, Salsichas
• Sopas em pacote ou latas.

Obs.: Praticamente toda comida industrializada é rica em sal, assim como alimentos tipo fast-food.


I.III - POTÁSSIO
O potássio é um sal mineral essencial para o funcionamento das células. Porém, quando em excesso, pode levar a complicações graves, principalmente arritmias cardíacas fatais.

O potássio está presente em uma grande variedade de alimentos e todo o excesso ingerido é rapidamente eliminado na urina. Deste modo, os rins mantêm os níveis sanguíneos de potássio dentro de uma faixa restrita que entre 3,5 a 5mEq/L. Níveis de potássio acima de 6mEq/L já são considerados perigosos. Valores acima de 7,5 – 8mEq/L, se não tratados imediatamente, são incompatíveis com a vida.

Nas pessoas com rins funcionantes esse controle do potássio é feito 24 horas por dia, todos os dias. Nos insuficientes renais crônicos terminais, o único modo de se retirar o excesso é durante as 4 horas de hemodiálise realizadas 3 vezes por semana. Como já se pode imaginar, o risco de hipercalemia é muito grande se não houver um controle na dieta.

Nas clínicas de hemodiálise, uma vez por mês se colhem analises antes do início das sessões. 
Os valores do potássio são a explicação do por que é perigoso faltar às sessões de hemodiálise. O grande vilão do potássio são normalmente as frutas, porém, vários outros alimentos contêm potássio em grandes quantidades. Exemplos de alimentos ricos em potássio:
• Abóbora, Amêndoa, Ameixa, Avelã, Bacalhau, Banana
• Batata (principalmente frita), Beterraba, Cacau, Café
• Castanha, Cenoura, Cerveja, Chocolate, Coco, Cogumelo
• Damasco, Espinafre, Ervilhas, Farinha de soja, Feijão
• Figo, Frutos secos, Grão de bico, Iogurte, Kiwi, Laranja
• Leite, Lentilhas, Mamão, Manga, Melado, Melão, Repolho
• Sal light, Soja, Sorvete, Tâmara, Tomate, Uva passa, Vagem
• Vinho, mate, chá preto,
• Carnes sejam aves, mamíferos ou peixes, também costumam ter bastante potássio.

DICAS PARA SE EVITAR EXCESSO DE POTÁSSIO NA DIETA

Evite comer mais de 2 frutas por dia. Dê preferência àquelas que possuem baixo teor de potássio, como maçã, uva, pêssego, abacaxi, tangerina e morango.
Como carboidratos, prefira arroz e massas, porque são pobres em potássio.
Evite batatas fritas, pois estas são riquíssimas em potássio.

Descasque e corte os legumes em pedaços. Deixe-os de molho por no mínimo 2 horas em água morna. Use bastante água. Depois, despreze a água e lave-os por alguns segundos em água corrente. Agora se pode cozinhar os vegetais normalmente. Use novamente bastante água. Este processo ajuda a retirar o potássio dos alimentos.

Não frite e não coza legumes em panela de pressão, a vapor, ou em micro-ondas. Estes processos aumentam a concentração de potássio nos alimentos.
Frutas cozidas em água perdem aproximadamente metade do seu potássio.


IV - PROTEÍNAS
Nos pacientes com insuficiência renal crônica em tratamento conservador, ou seja, ainda sem necessidade de diálise, uma dieta rica em proteínas parece estar associada a uma aceleração na perda de função renal. Por isso, indica-se uma restrição no consumo de proteínas por parte destes pacientes.

Naqueles pacientes que já estão em hemodiálise, porém, essa preocupação não faz mais sentido, uma vez que já não há mais função renal para ser perdida. Além disso, este grupo de pacientes é mais propenso a desenvolver desnutrição, o que contra-indica a restrição de proteínas na dieta.

O ideal é dar preferência as proteínas de alto valor biológicas, de origem animal. 
A grande dificuldade em se oferecer as proteínas necessárias para insuficientes renais crônicos está no fato de que, na grande maioria dos casos, alimentos ricos em proteínas também são ricos em fósforo, cujo consumo deve ser restringido. A orientação de um nutricionista é indispensável para um melhor controle do consumo.


V - FÓSFORO
Quando o rim começa a ficar doente, a excreção de fósforo na urina começa a falhar. Neste momento a produção de PTH começa a subir, agindo na parte do rim que ainda funciona. Com mais PTH na circulação, o fósforo volta a cair, retornando a níveis normais. Porém, o osso já começa a sofrer. Mesmo em fases iniciais da doença renal, quando a creatinina ainda é baixa o paciente já começa a ter doença óssea porque precisa de níveis de PTH mais elevados para manter o fósforo controlado. Portanto, o controle do fósforo deve ser iniciado nas fases iniciais da insuficiência renal, quando a função está abaixo dos 60 ml/min.

COMO CONTROLAR O FÓSFORO?

O paciente que já não consegue eliminar o fósforo corretamente pela urina, deve então, diminuir o consumo deste através de uma dieta pobre em fósforo.
Deve-se evitar alimentos ricos em fósforo, que são:
• Leite e seus derivados, incluindo sorvetes e iogurtes, Pizzas, Panquecas e waffles.
• Biscoitos, Cereais e farelos.
• Vísceras (miolos, fígado, coração, língua, rins…).
• Ervilhas, Feijão, Nozes, amendoim e amêndoas, Chocolate e cacau.
• Alimentos feitos com farinha integral (pão, bolos, bolachas, torradas).
• Refrigerantes a base de cola (Coca-Cola e Pepsi), Cerveja.
• Sardinha, Salsichas, presuntos, linguiças…

Existem medicamentos que inibem a absorção intestinal do fósforo da dieta. São os chamados captadores ou quelantes de fósforo. Os mais comuns são:
• Hidróxido de alumínio (em desuso devido à toxicidade do alumínio em renais crônicos).
• Carbonato de cálcio.
• Acetato de cálcio.
• Sevelamer (Renagel® ou Renvela®).
• Carbonato de Lantanium.

LOGICAMENTE, OS QUELANTES DE FÓSFORO SÓ FUNCIONAM 
SE TOMADOS DURANTE ASREFEIÇÕES

Essas substâncias se ligam ao fósforo nos intestinos, impedem sua absorção e são eliminados nas fezes. O problema é que apenas 50% do fósforo ingerido se ligam a esses quelantes. Por isso, independente do seu uso, a dieta pobre em fósforo é imprescindível.

Imagine o seguinte quadro: O consumo máximo de fósforo recomendado para doentes renais é 800 mg /dia. Se um paciente não faz nenhum tipo de dieta e consome 2600 mg de fósforo, mesmo que metade desta saia nas fezes ligado aos quelantes, ele ainda absorverá 1300 mg, o que está bem acima do limite.

A elevação do fósforo no sangue (hiperfosfatemia) causa elevação do PTH, que junto com a insuficiência de vitamina D causam grave lesão nos ossos. Porém, este não é o único problema do excesso de fósforo. Quando em excesso, o fósforo sanguíneo liga-se ao cálcio circulante, formando o fosfato de cálcio, uma substância insolúvel que se precipita nos vasos sanguíneos. O resultado final é a calcificação destes vasos, obstruindo o fluxo de sangue, causando infartos e AVC.

O excesso de fósforo também pode se precipitar na pele levando a um quadro de comichão intenso e difuso.

Mas não esqueça, é primordial fazer o acompanhamento com seu médico e seu Nutricionista.


ARTIGO DE ⤵️
Nutri Marília Freitas
Nutricionista CRN-ES 19100129
Pós Graduanda em Nutrição 🍒🍉
Envelhecimento e Longevidade.

@nutri.mariliafreitas
nutri.mariliafreitas@gmail.com
(27) 99205-8438

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